sexta-feira, 29 de março de 2013

Chata de você


Há dias eu não te vejo e há meses não te toco, meu amor é saudade. Que se deita e se levanta comigo, mas nunca dorme, não... Fica sempre a espreita, às vezes mais e às vezes menos perto, mas sempre me fazendo companhia.

E ela sabe ser criativa, pois nunca cai na monotonia; é saudade de abraço, de uma risada, de uma revirada de olhos, de um humpft, de um beijo, de andar de mãos dadas, de ter alguém a quem recorrer numa cena assustadora de um filme, de dormir juntinho, de ouvir o melhor e mais importante "nossa, que linda", de alguém que sempre vai estar junto...

E ela incomoda mais do que dói, pois é persistente e incansável. Me irrita. Me incomoda. Me dá vontade de estrangulá-la. Mas isso não cabe a mim, não... Isso é com ele, o meu amor, o responsável por tudo isso. Só ele manda, desmanda e manda de novo nesse sentimento tão chato.

Taí uma palavra que descreve bem essa coisa de saudade: chata. Abrange muita coisa, menos você, que de chato só tem a saudade que deixa quando se vai.

Como eu tenho chata de você.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quem?


Quem me traz para a vida, quem me leva às estrelas.
Quem me aconselha, quem me apóia.
Quem me instrui, quem me liberta.
Quem me faz falta, quem tem o melhor cheirinho do universo.
Quem me conta do mundo, quem me faz rir.
Quem me é tão diferente, quem me complementa.
Quem me critica, quem me ama.
Quem eu amo.

-Feliz 2 anos de namoro não oficial pra gente! :)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O mundo do descarte


Em um mundo consumista, não se escuta mais o  verbo "consertar", não se conhece mais os sujeitos que desempenham essa ação e nem tem demanda para isso... Se eu compro um novo por R$30, porque vou pagar R$20 e ficar com um velho? O preço de produtos novos está baixo, assim como a qualidade; quem nunca ouviu da avó que não trocaria aquela batedeira que ganhou de casamento por uma nova? De fato, as coisas estragam mais rapidamente nesses dias...

E ouso dizer que isso não se restringe a coisas, vai além. Pessoas se estragam mais rápido, relacionamentos se estragam em um velocidade ainda maior. É pouca força de vontade de dar certo? Talvez. É pouco amor? Não. É nenhum amor! É tanto tempo convivendo com objetos, que mal reconhecemos o abstrato, o intangível, o conotativo... Aquilo tudo que faz a vida ter sentido e o que nos faz sentir.

A verdade é que assim como descartamos os objetos imperfeitos, descartamos as pessoas imperfeitas... E adivinhem? Somos todos imperfeitos, todos. E pode demorar um pouco para perceber, mas momentos perfeitos com certas pessoas, fazem valer a pena toda a imperfeição que sobrou... Mas é difícil saber isso quando não damos a chance para elas nos mostrarem; quando no primeiro defeito, nossa reação é "comprar" outra, para que - mais tarde - esta apresente um outro defeito.

Isso não significa permanecer no erro, mas não se ater a ele e se permitir ver o quadro inteiro. Conhecê-lo e saber exatamente do que se está abrindo mão. É difícil conhecer as pessoas, é difícil nos conhecermos, pois isso demanda tempo. E em um mundo cuja filosofia é "tempo é dinheiro", conhecer alguém é cada vez mais caro... e raro.

sábado, 9 de junho de 2012

Imutável


Eu sempre espero demais; Que a montanha se mova, que o oceano seque, que da pedra nasça a flor, que o arco-íris apareça sem que tenha havido tempestade. Talvez seja melhor, mais fácil, mais sadio uma vida sem muitas surpresas e encantos e borboletas... Uma vida com uma felicidade média, mas com a certeza desse sentimento. Talvez seja melhor.

Mas eu não sabia disso na época; Ah, se alguém pudesse ter me alertado, um eu do futuro me falado: não o deixe ir, esse é mais perfeito que foi encontrado. Mas não, sempre otimista, com desejos de borboletas no estômago, coração batendo como as asas do colibri, bochechas em chamas, mãos frias... Era tudo muito excitante para abrir mão.

Mas com o passar do tempo a gente vai percebendo o que não nos é possível de abrir mão, nossas prioridades. Porque certos hábitos, razões, crenças, estão embutidos e enraizados tão profundamente que são praticamente incorrutíveis. E é a partir daí que você tem que ir cortando certas pessoas da sua vida.

Não é ser inflexível, é questão de ter princípios.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um laço especial


Quando o cara certo aparecer, você não só vai saber e sentir, como isso lhe será provado todos os dias de diferentes maneiras; assistindo aquele filme romântico bobo com você, dando suporte quando você errar ou se ferir, no jeito de te acordar, ele vai achar fofo e amar tudo aquilo que mais te incomoda em você, ele também não vai se importar em ver o mesmo filme no cinema só para te acompanhar.

Ele vai mudar, mas isso não é por falta de personalidade, é porque um relacionamento estável requer mudanças. Ele vai pensar em você a cada ato e palavra, não vai medir esforços para não te machucar e vai fazer de tudo para que ninguém o faça. Ele pode até ser duro demais algumas vezes, mas o peito e colo dele serão o seu melhor refrigério.

Vocês vão se conhecer como ninguém e não precisarão recorrer a meios baixos para se afirmarem como o amor da vida um do outro. O bem e a felicidade do outro será a prioridade de vocês. A dor será saudade porque um sentimento tão bom não gera frutos destrutivos. Não vai haver desistência da parte de ninguém, porque ambos saberão que vale a pena sacrificar alguns hábitos para manter e estreitar esse laço tão especial que os une.

Quando vocês se abraçam, não há sentimento de posse, porque sabem que ninguém pertence a ninguém. No início, os abraços podem parecer todos iguais, mas com o tempo, você percebe a diferença de se sentir protegida por alguém ou de ser um troféu para alguém. E deixar-se ser um prêmio, é deixar-se ser coisificado - não amado.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não é gente rabugenta


O mundo está cheio de reclamações e as pessoas estão cada vez mais insatisfeitas. Seja por causa do trabalho, dos estudos, do clima, da falta de tempo... Não importa do que, estamos sempre reclamando.

Se pudéssemos descrever uma vida perfeita e então, vivê-la, conseguiríamos viver feliz para sempre? Acho que não. Chega o final do ano, lá para novembro e dezembro, todo mundo só fala do quanto quer férias, como se fosse um paraíso, como se a felicidade só dependesse desse período de ócio.

Mas basta um mês, ou até menos, desfrutando desse tempo só para a gente, que não se aguenta mais! Começa a reclamação de novo. Mas não é rabugice nossa e nem como se não soubéssemos viver sem reclamar. É que a rotina nos cansa e estressa.

Às vezes a gente não se dá conta, mas é preciso pegar outro ônibus para ir trabalhar, almoçar em um lugar diferente, fazer novos amigos, mudar de acadêmia, dar chance para que as mudanças que te acontecerem se tornarem boas.

Dê um passo de cada vez, mas troque de sapato e pegue o caminho que, pode até não ser o mais curto, mas é o mais bonito e agradável.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Cessa, Vento


A vida não é mesmo perfeita. A gente sofre, leva uns solavancos... da vida e dos amores, mas superamos. E voltamos a viver, a amar, é um ciclo. Às vezes, nos liquefazemos em choro, mas passa. Eu sei e, no fundo, você também sabe. Em determinados momentos, pode até não parecer, mas essa é uma vida digna, é intensa. E isso é, no mínimo, muito importante. Mesmo quando essa intensidade é "ruim", ela acaba sendo construtiva, é a responsável por aumentar nossa bagagem de vida, que um dia acaba servindo para alguma coisa.

Ruim mesmo é viver na média, sem grandes emoções. Eu odeio essa coisa de média, mais ou menos, ter asas e não voar. É melhor cortá-las de uma vez. De que adianta amar e não estar? Roger Bussy-Rabutin uma vez disse que "a distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno e inflama o grande". Certamente isso não é válido a longo prazo, pois, se o vento não cessar em momento algum, o fogo se alastra até não ter mais para onde avançar, e então, encurralado, se esvai.

Deve ser assim com o amor, cresce com a saudade, avançando para novas terras, procurando meios alternativos de se alimentar e não morrer. Mas um dia, não tem mais lugar para se refugiar, tudo que poderia ser retirado e consumido, já o foi. Porém a saudade ainda vai ao seu encontro, implacável e sufocante. Atiçada pela distância e o esquecimento de quem definha... Ele não vai desistir, todos querem viver para sempre, mas todos sabem do seu tempo e o dele já é curto. Delirando com o sofrimento, ele ora para que o vento cesse logo, alguém tem que cessar.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...